História da Capoeira

A Capoeira e A Guerra do Paraguai



       Em 1865 o Brasil, junto com a Argentina e o Uruguai, declarou guerra ao Paraguai. O exército brasileiro formou seus batalhões e, dentro destes, um imenso número de capoeiras. Muitos foram "recrutados " nas prisões; outros foram agarrados à força nas ruas do Rio e das outras províncias; aos escravos, foi prometida a liberdade no final do conflito.    Na própria marinha, o ramo mais aristocrático das Forças Armadas, destacou-se a presença dos capoeiras. Não entre a elite do oficialato, mas entre a "ralé" da marujada. Marcílio Dias (o herói da Batalha do Riachuelo, embarcado no "Parnahyba") era rio-grandense e foi recrutado quando capoeirava à frente de uma banda de música. Sua mãe, uma velhinha alquebrada, rogou que não levassem seu filho; foi embalde, Marcílio partiu para a guerra e morreu legando um exemplo e seu nome. (Correio Paulistano, 17/6/1890) 
      Os capoeiras do Batalhão de Zuavos, especialistas em tomar as trincheiras inimigas na base da arma branca, fizeram misérias na Guerra do Paraguai. Manuel Querino descreve-nos "o brilhante feito d'armas" levado a efeito pelas companhias de "Zuavos Baianos" no assalto ao forte Curuzu, quando os paraguaios foram debandados. Destacam-se dois capoeiras nos combates corpo-a-corpo: o alferes Cezario Alves da Costa - posteriormente condecorado com o hábito da Ordem do Cruzeiro pelo marechal Conde d'Eu -, e o alferes Antonio Francisco de Melo, também tripulante da já citada corveta "Parnahyba" que, entretanto, teve sua promoção retardada devido ao seu comportamento, observado pelo comandante de corpos: "O cadete Melo usava calça fofa, boné ou chapéu à banda pimpão e não dispensava o jeito arrevesado dos entendidos em mandinga". (REIS, L.V.S. Op.cit., 1997, p.55)_

      O 31º de Voluntários da Pátria - policiais da Corte do Rio de Janeiro com grande percentagem de capoeiras - também se destacou na batalha de Itororó: esgotadas as munições,"investiu contra os paraguaios com golpes de sabre e capoeiragem" (COSTA, Nelson in SOARES, op.cit., 1944, p.258).    Devido a estas ações de bravura e temeridade, começou a surgir dentro do Exército e da Marinha, de maneira velada e não-explícita, o mito que o capoeira seria o "guerreiro brasileiro".    Cinco anos depois, 1870, os sobreviventes da Guerra do Paraguai voltaram, agora transformados em "heróis", e flanavam soltos pelas ruas do Rio. Muitos engrossaram as fileiras das maltas cariocas e, não raro, pertenciam também à força policial.


Texto retirado do Site do NESTOR CAPOEIRA
Abaixo segue 2 vídeos do You Tube, interessantes com o Título: "Eu que nunca viajei... a Capoeira na Guerra do Paraguai", uma animação feita em escolas da Rede Pública de Uberlândia, em oficinas de animação realizadas por Luciano Ferreira. Ótima maneira de ensinar a História da Capoeira para crianças:


















A capoeira escrava, Rio de Janeiro, 1800-1890

   Em 1808, o rei D. João VI veio para o Brasil - a maior colônia portuguesa, na época -, fugindo de Napoleão Bonaparte que tinha invadido Portugal.
   O Rio de Janeiro que, na época, tinha uns 700.000 habitantes, mais de metade sendo escravos negros. Com a chegada do rei português e sua corte - umas 4.500 pessoas (muita gente!!!), na primeira leva -, muita coisa mudou. A colônia, afastada de tudo, de repente virou o centro do Império Português. 
   Começou, também, uma repressão sistematizada à cultura dos escravos, embora a violência e a maldade contra o escravo já existisse desde os 1500s. Para esta nova repressão sistematizada e organizada, D. João VI criou a Guarda Real, e pra comandá-la foi nomeado o temido major Vidigal.

O major Miguel Nunes Vidigal... era um homem alto, gordo, do calibre de um granadeiro (perto de 90 kg.), moleirão, de fala abemolada, mas um capoeira habilidoso de um sangue-frio e de uma agilidade a toda prova, respeitado pelos mais temíveis capangas de sua época. Jogava maravilhosamente o pau, a faca, o murro e a navalha, sendo que nos golpes de cabeça e de pés era um todo inexcedível.
( BARRETO FILHO, Melo e LIMA, Hermeto. História da polícia do Rio de Janeiro 1565-1831. Rio de Janeiro: Ed.S.A. A Noite, 1939. V.1, p.203.)


Muita gente afirma que a capoeira era, basicamente, a "arma do escravo contra a polícia e o feitor" - a (gloriosa) "luta de libertação"!
   Mas, na verdade, além disto (e talvez mais que isto), a capoeira era a ferramenta usada para um determinado grupo de escravos "dominar" uma certa área (em oposição a outros grupos de escravos); e era também a "arma" usada pelos escravos para resolverem suas divergências pessoais, e estabelecer uma hierarquia dentro do grupo. Não se tem muitas notícias da capoeira, e dos capoeiras, envolvidos com a fuga de escravos para os quilombos; ou de planejarem uma rebelião para derrubarem os "senhores brancos opressores".


Aos poucos, os capoeiras se organizaram em maltas, compostas inicialmente apenas por escravos africanos "ladinos" (que ja estavam adaptados ao Brasil, em oposição ao escravo "boçal", recém-chegado da Africa). Mas por volta de 1850, as maltas ja tinham absorvidos os creoulos (negros nascidos no Brasil), negros livres, e mulatos (filhos de negra com branco). 
   E em 1860, as maltas já tinham absorvido homens de todas as cores e, até, de outras nacionalidades: em 1863, um em cada três capoeiras preso era estrangeiro (a maioria, português). Nas maltas cariocas conviviam não só os negros e a "ralé" das ruas, mas também militares de todas as patentes,marujos estrangeiros que tinham abandonado seus navios, além dos violentos margaridas e cordões (os ricos playboys da aristocracia de então) como o temido Juca Reis, filho de um milionário dono de jornal - O Paiz -, o Conde de Matosinho.

(Juca Reis era uma) bela figura de rapaz forte, estroína e maneiroso, trajando sempre com apurada elegância. José Elísio dos Reis - o Juca Reis como era conhecido -, tinha-se tornado famoso nas vielas do crime, por seus constantes conflitos e violências, fgrequentes espancamentos em mulheres decaídas e pela autoria ou cumplicidade de um assassinato ocorrido em meados de 1888, na rua dos Andradas, junto ao largo de São Francisco de Paula... era um cordão elegante... cuja especialidade era promover conflitos e desordens nos teatros e casas de jogos, e demais lugares frequentados pela alta roda da Corte (Rev. do Arq. Mun., SP, ano XVI, CXXVI: 76, jul-ago 1949; IN SOARES, 1994, p.173-175)
Tudo isto, historicamente comprovado por pesquisas de renomados estudiosos, baseado em registros policiais e noticias de jornais dos 1800s, traça um retrato muito diferente do imaginado pela maioria da população e, também, pela maioria dos capoeiristas de hoje.


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Capoeira Como ferramenta de Inclusão Social

A ACBM vem mais uma vez mostrar um trabalho de caráter social-inclusivo. No Dia 12 de Outubro de 2011 – Dia das Crianças, uma parte da Equipe do Contra-Mestre Pingüim se uniu na cidade do Carmo-RJ para mostrar o trabalho que vem sendo realizado por nossa Associação, através do Formado Costelinha e Graduado Vandinho com crianças portadoras de deficiência física ou psicológica, da Associação Sentindo na Pele. Na ocasião, se uniram capoeiristas de Além Paraíba-MG (Contra-mestre Pingüim, Monitor Zoim e seus alunos), Argirita-MG (Formado Antonio Márcio e alunos), Santa Rita da Floresta | Cantagalo-RJ | (Formado Gil e seus alunos) e da própria cidade do Carmo (Formado Costelinha, Graduado Vandinho e alunos). No Dia das Crianças, a Beira Mar veio mostrar novamente a capoeira como ferramenta de inclusão social, reforçando o que costuma dizer um de nossos alunos: “A Capoeira vai além do que os braços e as pernas podem fazer.”. Aproveitamos a oportunidade para agradecer o apoio a diretora da Escola Estadual Dr. Francisco Leite Teixeira, Margareth, que apóia o Formado Gil e permitiu a ida das crianças de Santa Rita da Floresta ao Carmo e a Associação Sentindo na Pele, na pessoa de Maria do Carmo. Confira as fotos da apresentação que aconteceu na Praça principal da cidade do Carmo.