A Capoeira em Filmes Internacionais


Muitos filmes brasileiros sempre exploram o universo da capoeira, mesmo que sutilmente. Mas hoje, estamos falando dos filmes estrangeiros. Pesquisando, achei muitos, mas vou postar apenas alguns. Primeiramente, temos que falar de “Esporte Sangrento” (Only the Stong - 1993). Estrelado por Mark Dacascos, o filme é um pouco tosco,
mas de grande importância para a visão da capoeira no mundo; Mais tosco, eu achei a capoeira que tentaram retratar em “Bem Vindo á Selva” (The Rundown- 2003) em uma cena com The Rock; Em 2004 dois grandes filmes já retrataram a capoeira de forma muito elegante, com cenas lindas individuais, de Halle Berry e Vicente Cassel, na minha opinião: “Mulher Gato” (CatWoman) e “Doze Homens e Outro Segredo” (Ocean’s Twelve). Retratando a capoeira luta, o filme “O Protetor” (The Protector – 2005) também conhecido como “Ong Bak 2” tem uma das melhores cenas com direito a água e fogo complementando o cenário da luta de Tony Jaa e Lateef Crowder dos Santos. Pulando pra 2010 temos 3 filmes: “Tekken The Movie” também com Lateef  Crowder dos Santos na pele de Eddy Gordo, personagem do game, que começou com Mestre Marcelo Caveirinha; Lateef ainda aparece como o capoeirista Rodrigo Silva em “O Imbatível ou O Lutador III – Redenção” (Undisputed III – Redemption) e por último, o filme que me inspirou a fazer este post e o vídeo: “Ela Dança eu Danço 3” (Step up 3). Gostei da cena em que Luke (Rick Malambri) e Natalie (Sharni Vinson) estão jogando capoeira, treinando para uma grande disputa de dança de rua. Confiram o vídeo que fiz com algumas dessas cenas. Dêem opinião e sugestões!!!


LEIA MAIS SOBRE O ASSUNTO NO JORNAL DO CAPOEIRA 




ASSISTA AO VÍDEO COM ALGUMAS DESSAS CENAS:




Capoeira e Ação Social


A Capoeira é um esporte genuinamente brasileiro. E nada melhor do que unir nosso esporte, a realidade do nosso país. A Capoeira é ferramenta de inclusão, é ensinada por meio de voluntariado por todos os cantos de nosso país. Nós, da Equipe do Contra-Mestre Pingüim MG-RJ estamos sempre preocupados em incentivar a solidariedade dos alunos, já que nosso trabalho é fundamentalmente social e voluntário. Confira algumas de nossas ações, unindo a Capoeira e Ação Social:

●  Associação de Capoeira Beira Mar Participa da “Semana do Idoso” 

Capoeira Como Ferramenta de InclusãoSocial  

Natal Solidário ACBM-MG 2011 

Natal Solidário ACBM-MG


Desde o início do mês de dezembro, os alunos do Contra-Mestre Pinguim da ACBM de  Além Paraíba – MG, vinham realizando uma campanha pelas ruas da Cidade Alta (Vila Caxias) arrecadando doações para colaborar com o Natal dos mais necessitados. Os alunos foram divididos em duas equipes, Guerreiros (Jardim Paraíso e Vila Caxias) e  Força (Cantão e Santa Rita) e reuniram o material arrecadado na última sexta-feira (16/12/2011) na Quadra da Escola Municipal Jardim Paraíso (onde acontece os treinos do Contra-Mestre) para que pudesse ser repassado aos representantes da Sociedade São Vicente de Paulo da comunidade. Logo após, aconteceu uma gincana, como forma de confraternização pelo trabalho feito pelos alunos.  A campanha rendeu 250 kg de mantimentos como feijão, arroz, macarrão... e 105 itens como óleo, biscoito, achocolatado, enlatados... Aproveitando a ocasião, os alunos também doaram alguns brinquedos ao Formado Costelinha, que juntamente com o Formado Vandinho, possui um trabalho junto com as crianças da Associação Sentindo na Pele da cidade do Carmo-RJ. Deixando claro: Alunos de um projeto social, sem apoio nenhum, fazendo um trabalho social. É assim que ensina!!! 
Ainda dá tempo de realizar sua boa ação de Natal, não perca tempo!!!

CONFIRA O ÁLBUM DE FOTOS DA CAMPANHA E DA GINCANA: 

Evento Geral da Associação de Capoeira Beira Mar em São Gonçalo-RJ


Aconteceu no último domingo dia 11/12 mais um Batizado, Troca de Cordéis e Encontro de Camaradas na cidade de São Gonçalo-RJ sob a organização de Mestre César, Presidente e Fundador da Associação de Capoeira Beira Mar. Muitos mestres prestigiaram o evento, nomes como Mestre Sabiá, Mestre Zumbi, Mestre Bocka, Mestre Tio Régis, Mestre Zezeu, Mestre Capa, Mestra Thiara, Mestra Borboleta, Mestre Malandrinho, Mestre Ricardo Cobrinha, Mestre Pitu, Mestre Chuleba, Mestre Rolha, Mestrando Chacal, Mestrando Barrão, Instrutor Chá-Quente e muitos outros amigos, que pedimos desculpas por não lembrar de todos. O Evento anual, é também o encontro de todos os núcleos da ACBM dos estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais. Houve além dos batizados e troca de cordéis, a formatura de 1 monitor, 3 professores e 1 contra-mestre. Agradecemos a visita de todos. Contamos também com a presença ilustre de Alice Tamborindeguy, prestigiando nosso evento!



Confira Mais fotos do evento AQUI

EM BREVE, CALENDÁRIO COM OS EVENTOS DA ACBM EM 2012!!!


A Capoeira Chora novamente em 2011

A capoeira chora mais uma vez em 2011 uma perda inestimável. Hoje, dia 09 de dezembro de 2011 as 15 horas, faleceu Mestre João Pequeno de Pastinha.


Biografia:

Em 27 de dezembro 1917 nasceu em Araci no interior da Bahia João Pereira do Santos, filho de Maria Clemença de Jesus, ceramista e descendente de índio e de Maximiliano Pereira dos Santos cuja profissão era vaqueiro na Fazenda Vargem do Canto na Região de Queimadas. Aos quinze anos (em 1933) fugiu da seca a pé, indo até Alagoinhas seguindo depois para Mata de São João onde permaneceu dez anos e trabalhou na plantação de cana de açúcar como chamador de boi, então conheceu Juvêncio na Fazenda são Pedro, que era ferreiro e capoeirista, foi aí que conheceu a capoeira.


Aos 25 anos, mudou-se para Salvador, onde trabalhou como condutor (cobrador) de bondes e na construção civil como servente de pedreiro, pedreiro, chegando a ser mestre de obras. Foi na construção civil que conheceu Cândido que lhe apresentou o mestre Barbosa que era um carregador do largo dois de julho, Barbosa dava os treinos, juntava um grupo de amigos e nos finais de semana ia nas rodas de Cobrinha Verde no Chame-chame.


Inscreveu-se no Centro Esportivo de Capoeira Angola, que era uma congregação de capoeiristas coordenada pelo Mestre Pastinha.


Desde então, João Pereira passou a acompanhar o mestre Pastinha que logo ofereceu-lhe o cargo de treinel, isso foi por media de 1945, algum tempo depois João Pereira tornou-se então João Pequeno, assim apelidado pelo mestre Pastinha.


No final da década de sessenta quando Pastinha não podia mais ensinar passou a capoeira para João pequeno dizendo: “João, você toma conta disto, porque eu vou morrer, mas morro somente o corpo, e em espírito eu vivo, enquanto houver Capoeira o meu nome não desaparecerá”...Continue lendo no Site de Mestre João Pequeno




"Não é todo jogador de capoeira que é capoeirista, como não é todo bom capoeirista que é mestre de capoeira. E não é todo mestre que é bom mestre." 
                                                                                     Mestre João Pequeno de Pastinha (1917-2011)


Evento Contra-Mestre Boleba 2011

Aconteceu no último domingo, dia 04 de dezembro de 2011, mais um evento do Contra-Mestre Boleba na cidade de Cordeiro-RJ. Mesmo sendo um evento praticamente interno, os amigos do Contra-Mestre, lotaram o pátio da Escola Estadual Municipalizada Rodolfo Gonçalves, vindos de outras cidades do estado do Rio de Janeiro e até de Minas Gerais. Contra-Mestre Boleba, já deixou marcado seu evento para o ano de 2012, que acontecerá no mês de julho, onde estará acontecendo uma formatura de Monitor do nosso amigo Cabeça. Aguardaremos ansiosos, contra-mestre!

Clique AQUI e confira mais fotos do Evento do Contra-Mestre.

Lembrando, que domingo agora, dia 11 de Dezembro, acontecerá o evento de Mestre César, na Cidade de São Gonçalo. Confira o CONVITE.


Participação da ACBM na "Missa Dos Quilombos"

No último dia 19 de Novembro, a Associação de Capoeira Beira Mar, representada por Contra-Mestre Pingüim e seus alunos, participaram  da “Missa dos Quilombos” em comemoração ao dia 20 de Novembro, Dia da Consciência Negra, na Capela de Santa Rosa de Lima, no Morro Santa Rosa por convite de José Darci e Marcelle, (diretores do grupo de Consciência Negra) e Padre Enio, que aqui deixamos nossos agradecimentos. Abaixo, segue a matéria sobre a missa, no Jornal “O Carpinteiro” que é Informativo da Paróquia de São José, de Além Paraíba-MG. Após a entrada da Bíblia, levada ao som do berimbau, a missa seguiu animada e alegre, como deveria ser uma missa afro. Ao final da missa, uma roda de capoeira e de samba de roda fecharam as comemorações com chave de ouro. Os organizadores prometem mais para o ano que vem. Estaremos a disposição!

Evento da ACBM em Argirita-MG


Aconteceu no último dia 13, na cidade de Argirita o 2º Batizado e Troca de Cordéis na Escola Municipal Doutor Custódio Junqueira sob a organização do Formado Antonio Márcio, que vem desenvolvendo um trabalho social nesta cidade a quase 2 anos com apoio do prefeito Carlos Aurélio Carminate Almeida que muito tem incentivado a prática desta modalidade esportiva às crianças, jovens, adolescentes... de seu município.
O evento foi um sucesso, com a participação de capoeiristas de cidades vizinhas como: Além Paraíba onde fica a academia de Contramestre Pinguim que supervisiona o trabalho da ACBM em Minas e ainda parte do Estado do Rio, Capoeiristas de outras cidades como: Leopoldina, Muriaé, Senador Cortes, Mar de Espanha, Carmo, Cordeiro, São Gonçalo, Niterói se fizeram presentes, abrilhantando ainda mais o evento.
O projeto no início estava aberto a adolescentes através do PROJOVEM um Projeto de Órgão Federal desenvolvido no município. Mas a procura por pais de crianças e outras pessoas da comunidade, houve uma grande interação, onde crianças, jovens e adultos do município se interagem.
No evento houve também a participação de alunos de São Domingos, distrito de Santo Antonio do Aventureiro, onde o formado Antonio Márcio está desenvolvendo um trabalho na Escola Municipal de São Domingos a pedido de alunos e com o apoio da Secretaria Municipal de educação de Santo Antonio do Aventureiro.
Não há dúvidas do sucesso do evento, e que o projeto continuará tendo o apoio do prefeito para o ano de 2012.

Se você tem ORKUT, confira mais fotos do Evento AQUI

Hoje é o Nosso Dia, o Dia da Consciência Negra

Hoje é o dia da nossa consciência. O dia da consciência de todos os brasileiros. Talvez você tenha se orgulhado ao ler isso, ou talvez tenha falado pra si mesmo: “Eu não sou negro”. Ok. Talvez você não tenha a bênção de ter uma pele mais morena, parda ou negra. Mas ainda sim, você tem origens africanas. A não ser, que você seja um imigrante europeu. Se não, é, se você é nascido no Brasil, pode ter certeza que você é um afro descendente. Pela mesma forma que você também tem origens européias e mais ainda, origem indígena. Tudo no Brasil é misturado, e que mistura mais perfeita! Nosso povo é lindo, é simpático, é alegre, é lutador, é trabalhador... enfim é admirado pelo mundo inteiro! E sabe porque?! Porque somos um mix perfeito, e esse mix é que nos fez ser assim, únicos. Não há povo igual no mundo, pode ter certeza! Somos capazes de passar por dificuldades, sempre rindo e cantando; somos sempre simpáticos e acolhedores com que chega; espalhamos nossa cultura pelo mundo, sem medo de ensinar isso a outros povos. Apenas somos assim, porque herdamos a pacificidade dos índios, a garra pelo trabalho dos europeus e a alegria dos africanos. Isso é lindo é perfeito. Então porque não celebrar sua consciência no dia de hoje?! Porque não se render a parte da sua origem que ajudou a cultura de seu país ser uma das mais ricas e bonitas do mundo?
Mas afinal, você sabe por que celebramos hoje, no dia 20 de novembro, o “Dia da Consciência Negra”?! Então vamos lá.

Vinte de novembro é o Dia Nacional da Consciência Negra. A data - transformada em Dia Nacional da Consciência Negra pelo Movimento Negro Unificado em 1978 - não foi escolhida ao acaso, e sim como homenagem a Zumbi, líder máximo do Quilombo de Palmares e símbolo da resistência negra, assassinado em 20 de novembro de 1695.            Esta data está regulamentada pela Lei 10.639, de 9 de janeiro de 2003, que incluiu o dia 20 de novembro no calendário escolar, data em que comemoramos o Dia Nacional da Consciência Negra. A mesma lei também tornou obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira. Nas escolas as aulas sobre os temas: História da África e dos africanos, luta dos negros no Brasil, cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, propiciarão o resgate das contribuições dos povos negros nas áreas social, econômica e política ao longo da história do país.         
Comemorar o Dia Nacional da Consciência Negra nessa data é uma forma de homenagear e manter viva em nossa memória essa figura histórica. Não somente a imagem do líder, como também sua importância na luta pela libertação dos escravos, concretizada em 1888.”
Confira a Participação da Associação de Capoeira Beira Mar na "Missa dos Quilombos" Em Além Paraíba-MG. Clique AQUI

História da Capoeira

A Capoeira e A Guerra do Paraguai



       Em 1865 o Brasil, junto com a Argentina e o Uruguai, declarou guerra ao Paraguai. O exército brasileiro formou seus batalhões e, dentro destes, um imenso número de capoeiras. Muitos foram "recrutados " nas prisões; outros foram agarrados à força nas ruas do Rio e das outras províncias; aos escravos, foi prometida a liberdade no final do conflito.    Na própria marinha, o ramo mais aristocrático das Forças Armadas, destacou-se a presença dos capoeiras. Não entre a elite do oficialato, mas entre a "ralé" da marujada. Marcílio Dias (o herói da Batalha do Riachuelo, embarcado no "Parnahyba") era rio-grandense e foi recrutado quando capoeirava à frente de uma banda de música. Sua mãe, uma velhinha alquebrada, rogou que não levassem seu filho; foi embalde, Marcílio partiu para a guerra e morreu legando um exemplo e seu nome. (Correio Paulistano, 17/6/1890) 
      Os capoeiras do Batalhão de Zuavos, especialistas em tomar as trincheiras inimigas na base da arma branca, fizeram misérias na Guerra do Paraguai. Manuel Querino descreve-nos "o brilhante feito d'armas" levado a efeito pelas companhias de "Zuavos Baianos" no assalto ao forte Curuzu, quando os paraguaios foram debandados. Destacam-se dois capoeiras nos combates corpo-a-corpo: o alferes Cezario Alves da Costa - posteriormente condecorado com o hábito da Ordem do Cruzeiro pelo marechal Conde d'Eu -, e o alferes Antonio Francisco de Melo, também tripulante da já citada corveta "Parnahyba" que, entretanto, teve sua promoção retardada devido ao seu comportamento, observado pelo comandante de corpos: "O cadete Melo usava calça fofa, boné ou chapéu à banda pimpão e não dispensava o jeito arrevesado dos entendidos em mandinga". (REIS, L.V.S. Op.cit., 1997, p.55)_

      O 31º de Voluntários da Pátria - policiais da Corte do Rio de Janeiro com grande percentagem de capoeiras - também se destacou na batalha de Itororó: esgotadas as munições,"investiu contra os paraguaios com golpes de sabre e capoeiragem" (COSTA, Nelson in SOARES, op.cit., 1944, p.258).    Devido a estas ações de bravura e temeridade, começou a surgir dentro do Exército e da Marinha, de maneira velada e não-explícita, o mito que o capoeira seria o "guerreiro brasileiro".    Cinco anos depois, 1870, os sobreviventes da Guerra do Paraguai voltaram, agora transformados em "heróis", e flanavam soltos pelas ruas do Rio. Muitos engrossaram as fileiras das maltas cariocas e, não raro, pertenciam também à força policial.


Texto retirado do Site do NESTOR CAPOEIRA
Abaixo segue 2 vídeos do You Tube, interessantes com o Título: "Eu que nunca viajei... a Capoeira na Guerra do Paraguai", uma animação feita em escolas da Rede Pública de Uberlândia, em oficinas de animação realizadas por Luciano Ferreira. Ótima maneira de ensinar a História da Capoeira para crianças:


















A capoeira escrava, Rio de Janeiro, 1800-1890

   Em 1808, o rei D. João VI veio para o Brasil - a maior colônia portuguesa, na época -, fugindo de Napoleão Bonaparte que tinha invadido Portugal.
   O Rio de Janeiro que, na época, tinha uns 700.000 habitantes, mais de metade sendo escravos negros. Com a chegada do rei português e sua corte - umas 4.500 pessoas (muita gente!!!), na primeira leva -, muita coisa mudou. A colônia, afastada de tudo, de repente virou o centro do Império Português. 
   Começou, também, uma repressão sistematizada à cultura dos escravos, embora a violência e a maldade contra o escravo já existisse desde os 1500s. Para esta nova repressão sistematizada e organizada, D. João VI criou a Guarda Real, e pra comandá-la foi nomeado o temido major Vidigal.

O major Miguel Nunes Vidigal... era um homem alto, gordo, do calibre de um granadeiro (perto de 90 kg.), moleirão, de fala abemolada, mas um capoeira habilidoso de um sangue-frio e de uma agilidade a toda prova, respeitado pelos mais temíveis capangas de sua época. Jogava maravilhosamente o pau, a faca, o murro e a navalha, sendo que nos golpes de cabeça e de pés era um todo inexcedível.
( BARRETO FILHO, Melo e LIMA, Hermeto. História da polícia do Rio de Janeiro 1565-1831. Rio de Janeiro: Ed.S.A. A Noite, 1939. V.1, p.203.)


Muita gente afirma que a capoeira era, basicamente, a "arma do escravo contra a polícia e o feitor" - a (gloriosa) "luta de libertação"!
   Mas, na verdade, além disto (e talvez mais que isto), a capoeira era a ferramenta usada para um determinado grupo de escravos "dominar" uma certa área (em oposição a outros grupos de escravos); e era também a "arma" usada pelos escravos para resolverem suas divergências pessoais, e estabelecer uma hierarquia dentro do grupo. Não se tem muitas notícias da capoeira, e dos capoeiras, envolvidos com a fuga de escravos para os quilombos; ou de planejarem uma rebelião para derrubarem os "senhores brancos opressores".


Aos poucos, os capoeiras se organizaram em maltas, compostas inicialmente apenas por escravos africanos "ladinos" (que ja estavam adaptados ao Brasil, em oposição ao escravo "boçal", recém-chegado da Africa). Mas por volta de 1850, as maltas ja tinham absorvidos os creoulos (negros nascidos no Brasil), negros livres, e mulatos (filhos de negra com branco). 
   E em 1860, as maltas já tinham absorvido homens de todas as cores e, até, de outras nacionalidades: em 1863, um em cada três capoeiras preso era estrangeiro (a maioria, português). Nas maltas cariocas conviviam não só os negros e a "ralé" das ruas, mas também militares de todas as patentes,marujos estrangeiros que tinham abandonado seus navios, além dos violentos margaridas e cordões (os ricos playboys da aristocracia de então) como o temido Juca Reis, filho de um milionário dono de jornal - O Paiz -, o Conde de Matosinho.

(Juca Reis era uma) bela figura de rapaz forte, estroína e maneiroso, trajando sempre com apurada elegância. José Elísio dos Reis - o Juca Reis como era conhecido -, tinha-se tornado famoso nas vielas do crime, por seus constantes conflitos e violências, fgrequentes espancamentos em mulheres decaídas e pela autoria ou cumplicidade de um assassinato ocorrido em meados de 1888, na rua dos Andradas, junto ao largo de São Francisco de Paula... era um cordão elegante... cuja especialidade era promover conflitos e desordens nos teatros e casas de jogos, e demais lugares frequentados pela alta roda da Corte (Rev. do Arq. Mun., SP, ano XVI, CXXVI: 76, jul-ago 1949; IN SOARES, 1994, p.173-175)
Tudo isto, historicamente comprovado por pesquisas de renomados estudiosos, baseado em registros policiais e noticias de jornais dos 1800s, traça um retrato muito diferente do imaginado pela maioria da população e, também, pela maioria dos capoeiristas de hoje.


Leia Mais: 
Zumbi e o Dia da Consciência Negra


Capoeira Como ferramenta de Inclusão Social

A ACBM vem mais uma vez mostrar um trabalho de caráter social-inclusivo. No Dia 12 de Outubro de 2011 – Dia das Crianças, uma parte da Equipe do Contra-Mestre Pingüim se uniu na cidade do Carmo-RJ para mostrar o trabalho que vem sendo realizado por nossa Associação, através do Formado Costelinha e Graduado Vandinho com crianças portadoras de deficiência física ou psicológica, da Associação Sentindo na Pele. Na ocasião, se uniram capoeiristas de Além Paraíba-MG (Contra-mestre Pingüim, Monitor Zoim e seus alunos), Argirita-MG (Formado Antonio Márcio e alunos), Santa Rita da Floresta | Cantagalo-RJ | (Formado Gil e seus alunos) e da própria cidade do Carmo (Formado Costelinha, Graduado Vandinho e alunos). No Dia das Crianças, a Beira Mar veio mostrar novamente a capoeira como ferramenta de inclusão social, reforçando o que costuma dizer um de nossos alunos: “A Capoeira vai além do que os braços e as pernas podem fazer.”. Aproveitamos a oportunidade para agradecer o apoio a diretora da Escola Estadual Dr. Francisco Leite Teixeira, Margareth, que apóia o Formado Gil e permitiu a ida das crianças de Santa Rita da Floresta ao Carmo e a Associação Sentindo na Pele, na pessoa de Maria do Carmo. Confira as fotos da apresentação que aconteceu na Praça principal da cidade do Carmo.